No mês de fevereiro, a Neverland se junto a diversos projetos e editoras que publicam livros de fanfic para uma programação especial sobre esse mundo que permeia as histórias de fãs. O objetivo dessa programação é promover a conectividade entre os projetos e editoras de publicação de livros de fanfics com o público, mostrando a realidade por trás dos nossos trabalhos, um “backstage” por assim dizer, através de um bate-papo sobre o mercado editorial e as fanfictions.
Você confere agora a nossa entrevista com o Projeto Addicted Sts, que produz livros de fanfic de uma forma diferente!
ENL: Gostaríamos de agradecer pela participação de toda a equipe do Projeto Addicted Sts na nossa programação especial de conexão entre autores, projetos e editoras. Para dar início à entrevista, poderiam se apresentar (membros da equipe) e divulgar os links das redes sociais?
R: Olá, também agradecemos a oportunidade que nos deram de poder falar um pouco mais sobre o Projeto, isso é muito importante para todos nós da equipe.
Referente a pergunta, a Addicted se constitui atualmente por quatro integrantes; sendo a Marya, que entre nós chamamos de Duda, a mais nova do quarteto, estudante carioca que é responsável por toda parte de design das capas; a Hevelin, moradora de São Paulo, se encarrega das artes e brindes que acompanham cada livro produzido e duas irmãs nascidas e criadas no Paraná, ambas universitárias da UEM. Uma delas é a Maris, estudante no curso de Letras, responsável pelas correções ortográficas e gramaticais das produções e a Silvia, licencianda em artes cênicas e gestão ambiental, atualmente cuidando das diagramações.
Vocês podem nos encontrar através do Spirit, Wattpad, CuriousCat e Twitter como @ProjAddictedSts, pelo E-mail addictedsts@outlook.com e também no Whatsapp próprio do projeto com o número (44) 9 9892-8082.
ENL: Quando a ideia de criar um projeto de livros de fanfic surgiu? E qual foi o momento que vocês perceberam que estavam preparados para embarcar nessa aventura?
R: A ideia surgiu após a fabricação de um livro que a Silvia fez para dar de presente, era uma fanfic de 2014, porém o livro foi fabricado apenas em agosto de 2019 após a autorização da autora. Depois disso, em dezembro do mesmo ano, pesquisando sobre livros acabou surgindo a ideia de fabricação. Inicialmente era uma equipe de apenas uma pessoa, a Silvia, porém mesmo sem divulgações específicas sobre a Addicted, que na época ainda nem possuía nome, recebíamos uma quantidade considerável de pedidos, dessa forma a Duda ingressou e aí uma dupla começou. Mesmo que naquele tempo ela já fizesse capas para fanfics postadas virtualmente, a confecção de capas específicas que se tornariam livros físicos foi um desafio, a insegurança bateu a porta. Quando tivemos nosso primeiro pedido de livros por lote e não apenas unitário, Maris que já escrevia algumas histórias e ajudava na correção de outras, foi convidada a participar do Projeto, logo em seguida Hevelin ingressou para ajudar nas artes.
Foi um desafio muito grande no início, mas aprendemos muito também. Hevelin vive pesquisando novas modalidades de desenho para não se restringir a um padrão. Silvia pesquisa tudo sobre a história para que as diagramações não fujam do contexto, a Maris coloca em prática o que aprende na graduação e a Duda sempre busca aprimorar suas habilidades em design para poder oferecer um trabalho de qualidade para aqueles que confiam em nós. Quando a primeira leitora recebeu o livro em mãos e nos deu o feedback, soubemos que estávamos preparadas para lidar com os desafios que o Projeto nos traz diariamente, seremos eternamente gratas mesmo que de forma inconsciente por nos mostrar que somos capazes.
ENL: O que motivou a criação do projeto?
R: A Addicted, como dito anteriormente, surgiu após um livro para presente, o pensamento de ter fanfics em forma de livros físicos se formou com grande intensidade. Contudo até aquele momento não existiam projetos específicos que fizessem livros unitários e sabemos que nem todas as sugestões para lotes se tornam realidade; dessa forma a vontade de produzir exemplares unitários foi aumentando até que se tornou realidade.
ENL: Qual o significado do nome do projeto? Como vocês chegaram a esse nome?
R: O nome foi a Silvia que escolheu e a história é um pouco engraçada porque surgiu antes mesmo do projeto em si. Em 2016 foi lançada uma websérie chinesa que se chamava Addicted Heroin e foi amor ao primeiro episódio, se tornou o assunto favorito durante os meses e anos seguintes. Sts originou de Sotus, um BL que junto com Heroin foi o pontapé para que tomasse conhecimento das Noveis, com isso os livros delas e em seguida os de fanfics. Ao final adaptamos o nome para Addicted To Stories para que fizesse mais sentido com o objetivo do projeto, sofrendo a abreviação para AddictedSts, sendo mais conhecido dessa forma.
ENL: Qual foi o primeiro contato que vocês tiveram com um livro de fanfic (como leitores)?
R: Acredito que cada uma teve um contato diferente como leitoras de fanfics, o da Silvia foi ao ganhar da Maris o livro de After, em 2014, sendo esse também o primeiro contato dela com livros que foram adaptados para originais, é engraçado pensar que anos depois seríamos responsáveis por dar forma física a livros assim. Com livros que mantinham o nomes dos artistas, foi um que se chamava One Love, One Direction que foi vendido pelo mundo todo no ano de 2015.
Já o da Duda como leitora foi observando o lançamento do livro God Killer (taemeetevil) e Código 121 (taemutuals), foi um contato muito superficial naquela época, no entanto, ficou encantada sobre o assunto desde então. Hoje, aguarda pelos lançamentos das histórias que gosta e acompanha, interessada em poder adquirir cada vez mais experiências e contato.
Hevelin teve seu primeiro contato acompanhando Quente Como o Inferno, desde o momento em que a fanfic foi escrita até o livro comercializado, em seguida entrou para equipe e terminou de ser submergida no ramo da fabricação.
ENL: Conforme o que imaginavam que seria antes de iniciar o projeto, quais expectativas vocês alcançaram e quais foram totalmente diferentes?
R: Apesar da animação, para falar com sinceridade, somos um pouco pessimistas e por isso, pensávamos que as pessoas não gostariam do nosso trabalho e proposta sobre livros unitários, mas foi totalmente o contrário. Fomos muito bem recebidas pelos solicitantes e por quem acompanha todos os processos e em pouco tempo passamos a produzir lotes e livros que seriam vendidos com frequência.
Embora as poucas expectativas de início, também somos pessoas ambiciosas, gostaríamos que o AddictedSts fosse reconhecido também pelos seus designs, correções e ilustrações e isso se tornou realidade. Nos sentimos muito gratas por tudo.
ENL: A AddictedSts tem uma linha editorial definida para a escolha das histórias que serão publicadas? Gêneros ou categorias específicas com que vocês trabalham? (Ex: Kpop, BTS, One Direction, etc)
R: Não, não temos uma linha editorial pré estabelecida. Seguimos conforme as solicitações de fabricações aprovadas, seja qual for a categoria ou gênero. O mesmo para lotes, os que são vendidos constantemente e sugestões, queremos deixar o leitor e escritor à vontade para ter um livro independente de envolver um artista, como em fanfics, ou ser uma obra original.
ENL: O Projeto AddictedSts tem uma proposta diferente de outros projetos de ficbook. Os livros são produzidos em cópias únicas? Como funciona?
R: Produzimos livros com cópias únicas, pois assim não ocorre todo o processo de precisar de uma quantidade mínima de solicitantes para que haja a fabricação, temos o objetivo de levar ao leitor uma cópia física de sua história favorita independente se apenas ele quer ou não, além, é claro, de poder comprar o livro daqui duas semanas ou três meses.
O processo para conseguir o exemplar primeiramente se dá pela solicitação do leitor, em seguida entramos em contato com o autor da obra para que ocorra a autorização. Quando aprovado seguimos todas as especificações desejadas por quem solicitou e do autor, confeccionamos a capa, marcadores e miolo, correções e após aprovado, fazemos a impressão a qual o solicitante paga somente pela a impressão, sendo o valor o qual a gráfica determina.
ENL: Qual foi o primeiro livro que vocês lançaram no projeto? Como foi trabalhar nele, por ser o primeiro tiveram algum desafio… Como foi essa jornada?
R: Cada uma das integrantes do projeto tiveram o primeiro pedido diferente, dessa forma o primeiro feito pela Silvia foi Alcoólico, que foi mais como uma experimentação e aprendizado, tanto como aprendendo a usar as ferramentas do computador para a confecção quanto experimentação de gráficas diferentes; dessa forma levando um prazo para ser produzido bem maior do que o imaginado.
O primeiro pedido da Duda se consistiu em “Garotos de Chocker”. Foi um pouco tenso, afinal, nunca havia feito a capa de um livro antes, no entanto, o processo criativo dele foi bem simples e fluiu muito naturalmente apesar das inseguranças, acabou que se apaixonou pelo livro.
Já o de Hevelin foi em Caminhos do Coração, sendo esse um livro que conversamos muito sobre como seria, mudamos algumas vezes a versão, mas ao final acabou sendo um livro muito agradável de produzir.
Maris teve como iniciação o livro Take Me To Church, um livro que já teve sua primeira versão, portanto acabou trazendo uma grande responsabilidade, pois demanda um esforço maior para que a segunda versão consiga alcançar tudo o que os leitores desejam. Porém todo o processo, que até o atual momento ainda está ocorrendo, está sendo muito gratificante pois dessa vez estamos buscando a opinião para a fabricação não só de um único leitor e autora, mas todos que desejam possuir o livro.
ENL: Atualmente vocês estão com algum projeto em andamento? Como está sendo esse processo? O que vocês podem contar pra gente sobre eles?
R: Estamos com alguns, tanto livros unitários, quanto lotes e vendas constantes. Atualmente estamos com treze planejamentos confirmados de lotes e os que serão vendidos pelo futuro site da Addicted. Temos os rascunhos prontos das capas e artes de alguns livros e planejando o design da capa dos lotes que estão em criação, juntamente com alguns exemplares já prontos que logo liberaremos para a venda.
ENL: Quais são as etapas mais complicadas no processo de publicação de um livro de fanfic? E quais as mais prazerosas?
R: A organização das ideias. Temos que fazer algo que agrade o solicitante e isso pode ser um pouco complicado às vezes, não por questões de comunicação, mas pelo processo criativo sobre a idealização do que foi pedido por ele, fazer um trabalho em cima daquilo. As vezes isso nos deixa um pouco incertas.
A parte prazerosa, acreditamos que seja quando lemos as respostas e elogios sobre o projeto, assim como quando vemos o livro chegar para quem o pediu, é muito satisfatório o quanto nosso trabalho pode agradar. Um exemplo disso é “Príncipe Perdido” que foi um livro tão bem recebido que dentro do projeto acabamos o apelidando de “o aclamado” e que ganhara um lote, futuramente, isso é muito gratificante.
ENL: Os processos que envolvem a produção de um livro (desde a escolha até o envio) são muitas vezes desgastantes, além de tirar um pouco do nosso sono, não é mesmo? Imagino que vocês já tenham tido que lidar com momentos complicados durante esse processo… conta pra gente.
R: Houve um pedido que deixou todos que trabalham com a produção um tanto que perdidos no que fazer. Todos nós ficamos com um bloqueio criativo enorme, foi tão grande que afetou nossos outros trabalhos. Não conseguimos planejar outras capas e nem mesmo as artes. Nos sentimos bastante frustradas, mas por fim conseguimos completar todo o processo de fabricação, ficamos muito aliviadas e satisfeitas com o resultado.
ENL: Como se dá o processo de escolha das histórias usadas no projeto? Vocês convidam os autores ou por indicação dos leitores?
R: Além das respostas nos formulários de fabricação e DMs no Twitter, temos formulários de interesses e quando um autor nos procura para a fabricação de livros que serão produzidos em uma quantidade maior, costumamos fazer uma pesquisa com os leitores da obra.
ENL: Quais são os critérios de avaliação da Addicted Sts para escolher uma história?
R: Consideramos muito o interesse dos leitores e as sugestões que nos são dadas, após isso avaliamos a história para sabermos do que se trata a fanfic e para o caso de precisarmos modificar algo que não esteja de acordo com as diretrizes do projeto, podendo assim causar algum tipo de desconforto para o leitor.
ENL: “Sou ficwriter e quero publicar minha história com vocês”. O que é preciso?
R: Primeiramente avaliamos a história, caso seja terminada ou esteja em processo de finalização, também avaliamos o tema abordado, para caso tenha algum enredo polêmico ou gere desconforto no leitor, como um possível gatilho emocional, tentamos abordar da forma mais delicada possível ou modificar caso o autor autorize. Por fim, levamos em consideração o interesse dos leitores.
ENL: A relação do projeto com o autor publicado também é uma fase muito importante e, muitas vezes, delicada. Para a produção do livro, o autor contribui de alguma forma, seja com sugestões, ideias para a capa do livro ou algum gosto pessoal é atendido?
R: Fazemos de acordo com o desejo da pessoa que produziu a obra, também nos comunicamos, normalmente, com as primeiras pessoas que pediram o livro para elas opinarem sobre a produção, seja na capa ou diagramação, pois ambas as opiniões são importantes, tanto o lado do leitor por acompanhar a história desde seus primeiros capítulos quanto a do autor por estar colocando nas páginas de um livro seus sonhos como escritor. Isso em lotes. Em pedidos unitários seguimos a idealização dos clientes, sempre pedindo sua opinião sobre nossas ideias na confecção do exemplar.
ENL: Como vocês enxergam o mercado editorial hoje com a difusão dos livros de fanfic?
R: Ele é bem diverso, isso agrega muitas visões e estilos, atraindo mais pessoas à essa difusão, seja como leitores ou produtores de ficbooks. Acompanhamos muitas editoras e projetos de livros de fanfic, com isso nos sentimos animadas e maravilhadas com os trabalhos e livros lançados. Além disso, o fato de histórias de fanfic virarem livros também confronta esse preconceito literário que muitas pessoas têm em relação às fanfictions, desdenhando de sua qualidade e elementos, comparando-as com outras obras literárias com o objetivo de diminuir seu valor ou utilizar delas para criticar alguma leitura que não foi do nosso agrado com a típica expressão: “É tão ruim que parece uma fanfic”. De fato, existem leituras não são do nosso agrado visto que sempre optamos por aquilo que vai de encontro aos nossos gostos pessoais e culturais, porém, não devemos ignorar que há também histórias incríveis, enredos muito bem desenvolvidos, personagens bem construídos que estão nas plataformas de fanfic pela internet e devemos dar uma chance de conhecer esses mundos que vão além dos nossos muros. Por isso, ficamos muito contentes em ver esse mercado editorial aumentando a cada dia e nosso desejo é que isso só cresça.
ENL: Em nome de toda a equipe da Neverland, gostaria de agradecer por compartilhar conosco um pouco da sua jornada e parabenizar pelo trabalho que vocês têm desenvolvido. Desejamos que os projetos futuros sejam bem-sucedidos e incríveis! Muito obrigada 🙂


