28/06/19 • Por Yále Cristina (kneko).
Biomédica, mestra em neurociências, atualmente, cursando seu doutorado em neurociências também. Raquel Figueiredo, moradora de Teresópolis, Rio de Janeiro, é escolhida como a primeira autora do projeto do Loey.me, com a fanfic de ação e fantasia, envolvente e apaixonante, 12 sóis. E claro que além de trazer e divulgar essa história maravilhosa, o Loey.me entrevistou Raquel Figueiredo, que conta o processo da escrita de 12 sóis, algumas curiosidades e dificuldades e sua trajetória como ficwriter até aqui.
12 sóis
12 campeões
Dois clãs
um vitorioso.
Yále Cristina: Biomédica e Mestre em Neurociências. Como foi descobrir esse lado escritora? Seu primeiro contato com leitura, livros… a própria fanfic?
Raquel Figueiredo: Minha família sempre estimulou a leitura. Minha mãe começou a introduzir eu e meus irmãos com revistinhas da turma da Mônica, depois veio Harry Potter e tal. Com a escrita… Eu sempre gostei de escrever, desde pequena. A primeira história que lembro de escrever foi de um telefone mágico que transformava os brinquedos em seres vivos! Acho que eu tinha uns oito anos. Eu escrevia histórias de fantasia no colégio pra minhas amigas lerem, fiquei quase todo o ensino médio escrevendo coisas aleatórias. Com a fanfic, eu estava um tempo sem escrever por causa da faculdade, mas aí quando eu conheci o EXO¹, começou a brotar a história na minha cabeça e eu pensei “Ah, por que não escrever?” Aí acabei pegando mesmo o gosto pra coisa e não parei mais!
Yále Cristina: Então, você começou a escrever direto com EXO. Mas antes você já lia fanfics?
Raquel Figueiredo: Sim! Lia fanfics de Harry Potter, escrevia mais fanfics de jogos, como Final Fantasy, Fatal Frame… Lia muitas fanfics de anime também, como Sakura Card Captor, Sailor Moon…
Yále Cristina: Ai, animes amo! (risos)
Raquel Figueiredo: Sim, minha paixão! (risos)
YC: Qual foi a primeira história que você escreveu e postou, no caso. Do que era? E qual a dificuldade de escrevê-la ou algo que você leva como aprendizado para outras fanfics?
RF: Acho que a primeira que eu lembro foi de Final Fantasy. Era sobre uma menina super fã do jogo que acaba sendo transportada para o universo de FF. Acho que a maior dificuldade foi continuar com a história e ter o planejamento certo pra continuar. Porque quando a gente tá começando a escrever histórias mais longas, o primeiro impulso é escrever assim que bate a inspiração, mas à medida em que a gente vai escrevendo, a tendência é se perder e desanimar com aquilo. Não lembro se eu cheguei a terminar essa história de FF, mas a verdade é que a primeira história que terminei mesmo de escrever foi 12 Sóis. Então acho que o maior aprendizado que tive foi planejar, fazer roteiro, deixar a história incubar um pouco na cabeça antes de começar a escrever. Isso ajuda muito.
YC: Super entendo. Quando a gente planeja um roteiro, ou que seja uma pequena sequência de acontecimentos, os “porquês” da história, ajuda muito a não se perder.
RF: Nossa, com certeza! (risos) Principalmente quando tem muitas reviravoltas e personagens.
YC: Sim! Ainda mais 12 Sóis que tem bastante personagem! E falando nela, de onde veio a inspiração para o enredo?
RF: Então, foi bem na época que eu conheci o EXO, lá pra 2013. Eu vi o MV de Mama, toda aquela história de EXO-M e EXO-K e pensei “cara, e se eles fossem inimigos?” Aí foi meio que um efeito dominó, eu criei o rascunho dos personagens, peguei um papel separando todo mundo e fiquei “poxa, acho que vale a pena escrever isso!” Foi isso! (risos!)
YC: Eu lembro de ter visto em algum capitulo seu nas notas inicias sobre o MV do MAMA e fiquei geeente! Né que parece mesmo que eles são inimigos! Isso me lembrou também, uma propaganda, acho que era de tênis, que ficou tipo Kai vs Luhan! Nossa amei. Altas referências.
RF: Né?? Quando eu vi esse MV pela primeira vez eu fiquei “meu deeeeeus” foi só sofrência, porque eu só pensava neles como inimigos. (risos)
YC: Foi a primeira história com muitos personagens? Foi difícil amarrar todos eles ao enredo, um aparecer mais que o outro, essas coisas…
RF: Sim, foi uma loucura, porque eu queria de qualquer jeito incluir todo mundo e colocar garotas também. Foi bem difícil, principalmente para os personagens que eram membros que eu não conhecia muito. Tipo, meus Bias², Kris e Luhan³, foi muito fácil de escrever. Mas o Kyungsoo e o Minseok³, por exemplo, foi bem difícil, porque eu não sentia muita afinidade com eles (risos). Era muita gente para lidar! Hoje em dia seria mais fácil, porque agora gosto de todos de maneira igual!
YC: No começo a gente sempre tem umas quedas por uns mais que os outros né menina… (risos). Você ficou receosa de incluir personagens originais na história? De como os leitores receberiam elas?
RF: Sim, principalmente por causa dos ships yaoi4. Eu gosto muito de shippar também, mas sempre gostei de inserir mulheres nas minhas histórias e senti que 12 sóis não seria a mesma coisa sem as meninas da fanfic. Eu sabia que muita gente ia torcer o nariz por causa delas e pela falta dos couples (casais em inglês) famosos, mas fui e escrevi mesmo assim. A gente tem que incluir mulheres nas histórias e dar papéis significativos pra elas, acho que isso é importantíssimo!
YC: Exatamente isso que ia comentar também sobre os ships yaoi. Querendo ou não é o que domina as fanfics, né? Então, quando eu comecei a ler e a Wendy (idealizadora do LOEY.me) falou que eu ia te entrevistar, foi a primeira pergunta que pensei (risos), porque acredito que dá um friozinho na barriga justamente por isso que você disse, do pessoal torcer o nariz, né? E sinceramente, a Juh Ah é um mulherão em todos os sentidos! Amei ela como uma líder de clã feminina, é uma representatividade necessária.
RF: Pois é! Eu divulgava nos grupos e algumas pessoas ficavam dizendo: Eca! Eu ficava de cara. Sim!!! Poxa, como ia ficar sem ela? Não tem como, a Jun Ah é uma das minhas favoritas! (risos)
YC: Você teve receio do gênero? Por ser mais focado na fantasia e na ação? Claro que seu romance foi na medida certa, mas é como os yaois, a maioria também gira mais em torno do romance, né?
RF: Então, como foi a minha primeira fanfic de kpop, eu não sabia bem qual era o “nicho” mais famoso! (risos). Eu sempre escrevi fantasia, então fui no que sabia fazer! E estava bem na época da era Wolf, então tinha muuita fanfic de fantasia, mas mais de lobisomens e tal. Foi uma época boa pra escrever esse tipo de fanfic, então eu acho que fui nessa onda e acabou dando certo.
YC: Nossa deu certo demais, demais!! Eu adorei ela de verdade!
RF: Aí que bom que você gostou!!!!
YC: Sobre o projeto! Como foi saber que a sua fanfic seria a primeira do LOEY.me? Como a Wendy contatou você e tudo mais?
RF: Ahhhhhh, então! Foi uma surpresa e tanto! A Wendy é muito fofa e mantém contato comigo já faz uns anos por causa de 12 sóis! Ela uma vez me mandou uma carta com marcadores de livros da fanfic e eu quase chorei de felicidade! Eu sempre admirei muito o trabalho dela e quando ela me falou desse projeto, eu fiquei muito feliz. É incrível saber que alguém valoriza o seu trabalho, mais incrível ainda é ser incluída em um projeto desses, de poder fazer uma contribuição na popularização das fanfics e de poder passar por uma experiência dessas! E como escritora, foi como tomar fôlego pra continuar com o sonho de ser publicada, de escrever mais ainda e compartilhar minhas histórias! Eu só tenho a agradecer à Wendy e a esse projeto por todo o carinho e por essa oportunidade! Sério, quase não tenho palavras pra agradecer!
YC: Aaah que lindo! E nós ficamos imensamente felizes de popularizar a fanfic ainda mais com a sua história que, diga-se de passagem, é maravilhosa! Eu sou suspeita porque amo fantasia também, né então… (risos). Você passou pela revisão e tudo mais… Teve algum momento que você quis trocar algo da fanfic? Ou a sua revisão foi mais gramatical?
RF: Foi um pouco das duas. Eu tirei as cenas +18 da fanfic nessa nova versão e reescrevi a primeira parte da história, porque achei que eu tinha corrido muito no início. Sobre as cenas +18, no final achei que elas não acrescentavam muito na história. As que tinham mais a ver eu dei uma amenizada, porque quando eu escrevi pela primeira vez, eu ainda não tinha um estilo muito específico de escrever esse tipo de cena. Agora que eu sou mais madura na escrita, não curti muito como levei essas cenas e reescrevi pra que ficasse mais do jeito que eu gosto.
YC: Agora que você comentou isso, você acha que na época você escreveu as cenas mais pelos leitores ou na época realmente pra você… “trazia relevância” na história?
RF: Acho que foi mais por causa dos leitores. Muita gente me pedia isso. Eu não tenho problema em escrever cenas mais quentes, mas acho que 12 sóis não precisa tanto de cenas como essas, principalmente por ser uma história muito longa. Acho que cortar algumas dessas cenas deu mais fluidez à história.
YC: Eu sou péssima com cena explícita (risos). Umas insinuações até que sai, maaas o hentai em sim… Não é pra mim.
RF: (risos!!) Sim, sim! Eu não gosto muito daquelas descrições muito explícitas. Hoje em dia eu tendo mais para o “poético”!
YC: Eu faço Letras então a tendência é ir para o poético mesmo (risos). Você pretende transformar 12 sóis em original? Publicar quem sabe?
RF: Ahhh que legal!!! Se um dia eu fizer outra faculdade, queria muito fazer letras. Ai, super gostaria de transformar em original e publicar! Gosto muito dessa história! Eu tenho sonhos muito loucos de que um dia 12 Sóis vira série da Netflix (risos), mas só um livro publicado já seria incrível!!
YC: Você já começou a reescrever ou por enquanto é só uma ideia?
RF: Só a primeira parte dela! Inclusive, inclui o que escrevi nessa edição para o LOEY.me.
YC: Hmmm, então teremos coisas novas! Já quero! (risos) Você participou de algum concurso de escrita?
RF: Eu já participei de um, mas com uma história original. Fiquei entre os finalistas na categoria de fantasia! Foi o sweekstars 20175.
YC: E o coração ficou como?! (risos)
RF: Cara, foi muito louco! Liguei pra todo mundo da minha família, postei no Facebook… Normalmente eu tenho um pouco de vergonha de falar sobre minha escrita com minha família, mas eu fiquei tão feliz que quis contar pra todo mundo! Mas depois eu acabei apagando a história (risos) não está mais no site…
YC: Aaaah nãão, eu já ia pedir pra ler (risos) Ah deve ser uma sensação tão boa…
RF: Foi bem legal! Eu sou muito ansiosa e me cobro muito. Foi gratificante saber que pelo menos o esforço valeu a pena. Um dia eu vou postar ela de novo!
YC: Estarei esperando! Pra fechar a pergunta mais importante…. Quem é seu bias?
RF: (risos!!!) Ainda é o Kris! Mas se for pra escolher alguém que realmente está no EXO agora acho que é o Kai!
A nossa primeira entrevista com a Raquel encerra por aqui, mas ela ainda vai voltar mais uma vez para detalhar mais sobre o enredo e os personagens apaixonantes de 12 sóis. Fique ligado!
¹ EXO: Grupo de K-POP (música pop coreana).
² Bias: Bias é o seu membro preferido de um grupo.
³ Kris, Luhan, Kyungsoo e Xiumin: Alguns nos membros do grupo EXO.
4 Shipp Yaoi: Shipp vem da palavra inglesa relationshipp, basicamente significa casal ou uma dupla propensa/com indícios de ser um casal. Yaoi: gênero de publicação que tem como foco relações homoafetivas entre dois homens.
5 Sweekstars: Concurso literário do aplicativo Sweek. O Sweek é o aplicativo de escrita ideal para autores renomados ou aspirantes alcançarem um público amplo.


